«Eis que venho para fazer a Tua vontade»
Estas palavras fazem parte de um contexto em que o autor quer demonstrar a infinita superioridade do sacrifício de Jesus, em relação aos sacrifícios da Lei antiga. Ao contrário destes últimos – em que as vítimas que se ofereciam a Deus eram animais ou, em todo o caso, coisas extrínsecas aos homens –, Jesus, impulsionado por um amor imenso, durante a sua vida na Terra, ofereceu ao Pai a sua própria vontade, todo o seu ser.
A vida de Jesus, ajudando-nos a perceber o aspecto mais profundo e o fio de ouro que liga todas as etapas da sua existência terrena: a sua infância, a sua vida privada, as tentações, as opções que fez, a sua actividade pública, e até a morte na cruz. A cada instante, em todas as situações, Jesus procurou uma única coisa: cumprir a vontade do Pai. E cumpriu-a de uma forma radical, não fazendo nada fora dela e rejeitando até as propostas mais aliciantes que não estivessem em plena sintonia com essa vontade.
É uma frase que nos faz compreender a grande lição que toda a vida de Jesus tinha em vista. Ou seja, que a coisa mais importante é cumprir não a nossa, mas a vontade do Pai. Temos que ser capazes de dizer «não» a nós mesmos, para dizermos «sim» a Deus.
O verdadeiro amor a Cristo não consiste em lindas palavras, ou ideias ou sentimentos, mas na obediência efectiva aos seus mandamentos. Como viver, então,Esta frase? É daquelas palavras que melhor põem em evidência o aspecto de contra a corrente do Evangelho, na medida em que combate a tendência que mais está enraizada em nós: satisfazer a nossa vontade, seguir os nossos instintos e sentimentos. E é, também, uma das frases mais incómodas para o homem moderno. Vivemos na época da exaltação do eu, da autonomia da pessoa, da liberdade como fim em si mesma, da auto-satisfação para a realização do indivíduo, do prazer visto como critério para as próprias opções e como segredo para a felicidade... Mas já conhecemos as conseqüências desastrosas desta cultura.
Pois bem, a essa cultura baseada na satisfação da própria vontade opõe-se a cultura de Jesus e da doação de Maria, completamente orientada para o cumprimento da vontade de Deus, com os efeitos maravilhosos que Ele nos garante. Então vamos procurar viver como a frase, sempre preparado para o amor ao próximo e a Deus. “Podemos nós fazer um com todos menos no pecado”.
Iguatu, 15 de agosto de 2011. Vieira.